segunda-feira, 22 de outubro de 2018

ALERGIAS, companheiras para a vida?


As alergias caracterizam-se por uma hipersensibilidade do sistema imunitário da pessoa em resposta a uma substância que usualmente não causa qualquer problema à maioria dos seres humanos. Nas situações de alergia o organismo desenvolve uma resposta imunitária desadequada perante um alergénio, que é considerado como um “invasor”, semelhante à resposta que ocorreria perante um vírus, como por exemplo, o vírus da constipação.


De acordo com dados da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, as alergias afectam mais de 150 milhões de europeus e dentro de 10 anos, poderão atingir mais de metade da população europeia. Em Portugal, a Associação Portuguesa de Asmáticos indica que cerca de 20% da população nacional apresenta doenças alérgicas.
Apesar de a maioria das alergias se manifestarem na altura da primavera (devido aos pólenes), nas estações do outono e inverno, as pessoas também são afectadas pelas alergias, sendo na maioria causadas pelos ácaros presentes nas casas e são igualmente incomodativas. As alergias que surgem nestas alturas provocam no organismo vários sintomas que se caracterizam por espirros (ao acordar e vários de seguida), congestão ou corrimento nasal, dor de cabeça e olhos lacrimejantes. As alergias desenvolvem-se devido:
 - a história familiar de alergias, a probabilidade é de 5% a 15% se nenhum dos pais for alérgico, 20% a 40% caso um dos pais seja alérgico, se ambos os pais forem alérgicos, 40 a 60% e 80% se ambos os pais sofrerem da mesma doença alérgica;
- factores sociais e ambientais, as alterações do meio ambiente e dos estilos de vida, a urbanização crescentea poluição, o tabagismo activo ou passivo e as alterações dos hábitos alimentares são factores que promovem o desenvolvimento de alergias;
- higiene e/ou protecção em excesso, a diminuição de exposição a agentes patogénicos externos durante a infância é em larga medida responsável pelo desenvolvimento de um sistema imunitário pronto a atacar os patogénicos comuns da vida quotidiana.
            O tratamento e medidas de prevenção das alergias varia em função das características individuais de cada pessoa. A nível do tratamento, em caso de crise alérgica, recorre-se a fármacos (broncodilatadores e/ou anti-histamínicos) com o intuito da melhoria dos sintomas. As vacinas antialérgicas têm o objetivo que o individuo se possa tornar tolerante à presença do alergénio e não reaja de forma a causar sintomatologia. No entanto, torna-se fundamental a prevenção do contacto com os agentes alergénios e os cuidados a ter baseiam-se em medidas para evitar a exposição aos mesmos:
- manter um arejamento e ventilação adequadas;
- evitar alcatifas e carpetes;
- utilizar colchões recentes;
- colocar coberturas anti ácaros nos colchões e almofadas;
- utilizar lençóis de algodão;
- lavar a roupa da cama com água a temperaturas superiores a 50ºC;
- remover do quarto objectos que acumulem pó;
- usar aspirador com filtro de alta eficiência;
- controlar a humidade relativa em valor inferior a 50%;
- evitar fumo de tabaco activo e passivo.
            A diminuição dos sintomas de alergia e das próprias crises podem deixar de ser um problema que afecta de forma significativa a vida dos indivíduos. Recorrendo às medidas de prevenção e conhecimento dos factores que as podem desencadear, as alergias podem na mesma manter-se para toda a vida, mas conviver sem que nos aborreçam.

Unidade Cuidados na Comunidade Maria Dias Ferreira