quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Bullying – a outra perspetiva!

O bullying acontece frequentemente entre crianças em idade escolar e é um comportamento indesejado e agressivo que envolve um desequilíbrio de poder. È um comportamento com potencial a ser repetido, ao longo do tempo.
Tanto as crianças maltratadas como as que intimidam, tendem a vir a ter problemas de insucesso escolar e na capacidade de se relacionar com os outros, o que terá um efeito negativo nas suas vidas a longo prazo.
A imagem estereotipada de um bully (agressor) como alguém resistente e autoconfiante precisa de uma revisão, pois de acordo com vários estudos a grande maioria dos bullies são também eles próprios vítimas. A maioria dos agressores é mais propensa a sofrer de baixa autoestima e problemas comportamentais. Geralmente são os que sofrem os mais altos níveis de depressão, raiva, paranoia, falta de sensibilidade emocional e comportamento suicida, e que por norma menos gostam da escola. A longo prazo existe maior risco de desenvolverem problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e abuso de substâncias.
Compreender o como e o porquê de um bully utilizar um comportamento agressivo é a chave para aprender como se lida com situações de bullying.
Uma razão comum para uma criança ser um bully deve-se na grande maioria dos casos à falta de atenção por parte dos cuidadores o que vai provocar na criança a necessidade de “chamar a atenção”. Isto pode incluir crianças negligenciadas, filhos de pais divorciados, ou crianças com pais sob influência regular de álcool ou drogas. Outras razões prendem-se com crianças cujos pais não sabem lidar bem com conflitos (irritação, violência) ou que têm como modelo adulto alguém com características de bully.
A grande maioria das vezes as crianças são agressoras porque foi este o comportamento aprendido em casa. Mas felizmente é um comportamento que pode ser “desaprendido”.
Os bullies desejam poder e atenção. Apresentam falta de empatia e vêm as crianças mais frágeis como alvos fáceis. Não aceitam as consequências das suas ações e tendem a culpar os outros.
A maioria dos bullies não percebe o quão errado é o seu comportamento e como ele faz sentir o colega.
No fundo, a maioria dos bullies precisa de tanta ajuda como as suas vítimas pois uma pessoa com uma boa autoestima, estável e feliz não necessita de rebaixar os outros para se sentir bem consigo própria, não precisa de se sentir superior porque sabe que somos todos iguais e que a diferença faz parte do mundo em que vivemos e o respeito por ela só nos torna mais humanos.



Veronique Rousselot Neves
Enfermeira da Unidade de Cuidados na Comunidade Maria Dias Ferreira