quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Pedro Mendes com artigo no Expresso

O Comandante Operacional Municipal de Ferreira do Zêzere, Pedro Mendes, num artigo publicado hoje no Jornal Expresso, fala de vários assuntos escandantes.
Fala das estratégias de coordenação e da formação dos Bombeiros.



"Não será tempo de assumir que se deve deixar arder muitas áreas de incêndios florestais em situações específicas", sendo preferível criar, "à distância", estratégias de contenção do fogo?
A questão é lançada por Pedro Mendes, antigo comandante dos Bombeiros Voluntários de Ferreira do Zêzere, ao chamar a atenção para algo que considera ser "pacífico" do ponto de vista teórico, mas exigir decisões difíceis de assumir "a quente", quando se está no terreno.
Há fogos que, em função de certas condições meteorológicas e orográficas "ou até pelos meios desajustados de que dispomos face às suas características, não se conseguem combater", afirma, pelo que a única coisa que faz sentido é o comandante das operações assumir essa decisão.
É a experiência o faz falar assim. Pedro Mendes acompanha de perto a realidade dos bombeiros há tempo suficiente para saber que as coisas têm mudado nos últimos anos, "muitas delas para melhor", mas os próprios incêndios têm hoje características diferentes.
"Se calhar temos o mesmo número de fogos a acontecer, mas serão mais violentos", o que não é alheio às alterações climáticas, que se traduzem "em períodos mais frequentes e longos com temperaturas elevadas e secas", aliadas a um "pior ordenamento do espaço rural".

Simuladores na formação dos bombeiros 


Sem desmentir que questões como o planeamento, "hoje mais alargado, detalhado e com maior antecedência", tenham vindo a evoluir no bom sentido, Pedro Mendes, atualmente ligado aos serviços de protecção civil do município de Ferreira do Zêzere, defende algumas mudanças muito concretas para melhorar o esforço no combate aos incêndios.
Fala na possibilidade de a formação dos bombeiros incluir simuladores, à semelhança do que acontece com pilotos e em certos treinos militares, e considera urgente que se implementem reuniões entre as chefias após cada ocorrência. "Não passado seis meses, mas pouco tempo depois dos fogos combatidos, para que desapaixonadamente se faça uma análise e uma autocrítica, percebendo o que esteve mal ou bem, para que cada experiência contribua para se agir melhor daí para a frente."
Pedro Mendes não é especial defensor de se importarem experiências estrangeiras, mesmo as ditas de sucesso. Pelo contrário: "Se sabemos que até fazemos muita coisa bem feita e se cada país tem a sua realidade distinta, o que é preciso é estudar a nossa, consciencializar a população do seu papel no cumprimento da lei e que quem de direito oiça quem conhece o terreno".
http://expresso.sapo.pt/certas-areas-florestais-devem-se-deixar-arder=f827618