terça-feira, 18 de junho de 2013

Avaliação

Tomo a liberdade de citar um texto de Gonçalo castro Fonseca publicado  no blog da Unidade Pastoral de Ferreira do Zêzere e que retrata muitos dos tempos que vivemos:


Às vezes caímos na tentação de olhar para este período do ano com um olhar cansado, talvez até mesmo desgastado. Parece um tempo sem final onde o fim parece não chegar e o princípio, para lá do fim, parece não querer entrar. É tempo de começar já a sonhar com novos amanhãs; planeia-se férias e até mesmo o depois das férias. Mas, ao mesmo tempo ainda há que fazer exames e terminar trabalhos, fechar contas e abrir balanços, chorar despedidas e cantar promessas. E um sem número de outras coisas. Afinal, é tempo de avaliações.
Este tempo de avaliações traz inquietações e tensões que tornam tudo ainda mais intenso. Mas o facto é que é tempo de avaliar. E avaliar o que é? Determinar o valor! E para isso é preciso um olhar purificado de cansaços, capaz de adentrar no fascínio da delicadeza da vida. Não estará o valor das coisas precisamente na delicadeza dos limites? E o fascínio, na ilimitada arte das possibilidades que cada limite oferece?
Às vezes caímos na tentação de avaliar sem ter esta pureza de olhar e sem dar a possibilidade de abrir os horizontes para que a vida veja em frente um amanhã melhor que o hoje. Avaliar é determinar o valor e, se formos um pouco mais longe na nossa capacidade de bem-querer, avaliar é dar valor, aquém e além dos limites. Tempo de avaliações é tempo de desenhar o futuro.

(Gonçalo Castro Fonseca, sj)