quarta-feira, 20 de março de 2013

Versos do antigamente


Versos do Antigamente
por Maria Celestina Silva (recolha R.A.)

Pus-me um dia a percorrer este lindo Portugal,
Só queria ver e sentir s seus encantos sem igual.
Fui e vi campos no Minho, sempre mimosos e frescos,
e vi as gentes minhotas, com os seus trajes pitorescos.
Trás dos Montes alpestres, com os seus vales sombrios,
vi aguas dos altos montes, despenharem-se nos rios.
E no Douro verdejante, com vinhedos e choupais,
ouvi rouxinóis à noite, cantar suspiros e ais.
Nas acidentadas Beiras, vi brilhar a branca neve,
perto da Penhas Douradas, aonde o ar é já mais leve.
Percorri a Estremadura, que lindas férteis campinas,
Aonde cresce o louro trigo, e pastam vacas turinas.
No Alentejo, vi as messes, ondeando como mar,
 e muitas casinhas brancas, como noivas a noivar.
E mais ao sul no Algarve, terra das amendoeiras,
Vi os quentes doces frutos, que pendem lá das figueiras.
Mas não pára aqui o encanto, que deslumbra o meu olhar,
Vamos meu coração vamos, para as terras de além-mar.
Aonde os Açores emergem como pérolas mimosas,
e onde a ilha da Madeira, tem o perfume das rosas.
São Tomé e as suas roças, em Angola descansei,
sob os ramos do embondeiro, à sua sombra gozei.
Passo o Cabo a Moçambique, que tão lindo porto tem,
Depois Diu, Damão e Goa, Macau e Timor também.
E de tudo quanto vi, eu trouxe esta impressão final,
Que não há terra tão linda, como o nosso Portugal!