terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Histórias do antigamente


HISTÓRIAS DO ANTIGAMENTE
Contada por Maria Celestina Silva
(recolha por R. A.)

Quando eu era miúda, cerca de 1944, vivia com a minha Mãe, o meu irmão e uma Avó. Muitas vezes o nosso comer era só couves, pois nem sequer batatas semeávamos porque a fonte ficava longe para as podermos regar.
Tínhamos tantas dificuldades que às vezes tínhamos de pedir um pouco de pão aos vizinhos. Eu tinha sete anitos então, e tinha vergonha de pedir, por isso mandava o meu irmão de nove anos, à minha frente, pois ele tinha mais jeito para isso.
Um dia a nossa Mãe disse-nos para irmos pedir meia almotolia de azeite à vizinha, para pôr nas couves do jantar, que depois quando ela recebesse (trabalhava às vezes a dias) que lhe devolvia o azeite.
Mas a vizinha nesse dia disse-nos que não nos podia dar o azeite, pois o marido dela estava em casa, e ele não gostava lá muito de dar...
O meu irmão e eu voltamos para casa um pouco tristes e lá comemos as nossas couvinhas do quintal, sem mais nada a não ser um pouco de sal.
No dia seguinte, ouvimos disser que o burro da vizinha tinha morrido. Mas morrido como, se ainda na véspera estava de perfeita saúde? A história foi então, que o burro da vizinha, tinha ido à talha do azeite, bebeu, bebeu, até rebentar a tripa, e ao cair para o lado, tombou a talha com o resto do azeite e até a partiu.
Moral da história; Quem tudo quer,  …