sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sexta Feira Santa


«Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, até às três da tarde.» Mc 15, 33

Tudo o que por Deus foi criado está unido ao seu Criador,
deixando sempre de algum modo transparecer a Sua marca
Não me surpreende que nas horas que antecederam a morte de Jesus,
a natureza se tenha manifestado por meio de um tempo de trevas
enquanto lenta e sofridamente Se extinguia a Luz da Luz.
A natureza é totalmente fiel ao Criador.
Nela não há disfarce ou fingimento: é o que é.
Esta fidelidade interpela a minha consciência,
provoca a minha liberdade e comove o meu coração.
A minha vida é um contínuo atravessar de luz e trevas
na justa medida em que sigo ou rejeito
a Graça que me é proposta em cada dia.
Nos mais duros momentos ou na mais intensa solidão
basta-me a certeza de que Deus está
para que o brilho da sua Presença rasgue a mais negra escuridão.
É este o dom maior da Páscoa de que em cada ano faço memória:
a vitória certa da vida sobre a morte, da justiça sobre toda a injustiça,
porque por Cristo, com Cristo e em Cristo: «a Luz brilhou nas trevas».
Cristo ilumina com uma luz que não engana.
Enganam-se os que julgam encontrar luz nas “luzes” do mundo.


Rui Corrêa d’Oliveira (www.rr.pt)